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MINDNÃO MONOGAMIA
← Todas as reflexõesEstrutura e política · LEITURA DE 2 MIN

Quem ganha quando todo o cuidado precisa caber num casal?

Quando uma única relação vira a resposta obrigatória para moradia, amparo, intimidade e futuro, a pergunta deixa de ser apenas com quem alguém fica. Ela alcança a organização da vida: quem trabalha, quem decide, quem depende e quem tem condições de escolher.

Perspectiva de Filipe Albertini · edição assistida de 15/10/2026

Do arranjo privado à pergunta coletiva

Na formulação política recuperada de Filipe, não monogamia não se resume a abrir uma relação. Ela também interroga os modelos que fazem certas relações parecerem naturais, obrigatórias ou superiores às demais.

O posicionamento trazido por ele associa essa crítica ao enfrentamento do racismo, do patriarcado, da colonialidade, da exploração e da LGBTfobia. Aqui, isso aparece como perspectiva política do acervo, não como uma definição que todas as pessoas não monogâmicas necessariamente compartilham.

A dimensão anticapitalista do cuidado

Na perspectiva anticapitalista de Filipe, importa perguntar como a sobrevivência condiciona a liberdade. Quem depende financeiramente de alguém consegue recusar uma proposta com a mesma margem de escolha? Quem assume a casa e o acolhimento tem o mesmo tempo para construir novos vínculos?

A crítica não termina em permitir mais relações. Ela alcança a privatização do cuidado e a distribuição de trabalho, dinheiro e descanso. Construir rede é procurar condições concretas para que a autonomia não seja um privilégio sustentado pela sobrecarga de outra pessoa.

Olhar para a distribuição de poder

Uma pergunta concreta atravessa esse eixo: quem pode escolher e quem precisa se adaptar? Ela pode ser feita sobre tempo, recursos, reconhecimento e tarefas de cuidado. Mudar o nome da relação não responde a isso sozinho.

Um arranjo não exclusivo pode manter privilégios, silêncio e desigualdade. Uma prática que se declara política precisa examinar o próprio funcionamento, inclusive quando a resposta contraria a imagem que seus participantes fazem de si.

Crítica estrutural não é fiscalização da intimidade

Questionar a monogamia como obrigação não exige transformar toda escolha de exclusividade em fracasso moral. A crítica aqui mira a imposição de um roteiro e suas relações com o poder, sem reivindicar autoridade para decidir a vida íntima de outras pessoas.

O campo de referências também precisa ser situado. O artigo de Núñez, Oliveira e Lago examina a monogamia pela colonialidade e por perspectivas indígenas; seu resumo discute cristianização e diversidade. Essa leitura não autoriza reduzir histórias diferentes a uma única origem universal.

Sobre a origem e a edição deste texto

Redação assistida por IA a partir de reflexões de Filipe Albertini. Textos editados para esta biblioteca; não são transcrições de conversas.

Os trechos literais são identificados como citações. A abertura, a organização e os desenvolvimentos deste texto foram escritos para esta edição.

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